Antes que o tempo fosse uma medida, antes que a luz se separ
Antes que o tempo fosse uma medida, antes que a luz se separasse da escuridão, antes que qualquer som ecoasse no vazio infinito, existia apenas a Consciência Primordial. Nas diversas tradições da humanidade, esta Fonte Única recebeu muitos nomes: O TODO no Hermetismo (Caibalion), Nous ou a Mente Divina no Corpus Hermeticum, Ein Sof na Cabala, Brahman no Hinduísmo, Wakan Tanka para os Lakotas, Ahura Mazda no Zoroastrismo, a Mônada nos textos gnósticos, ou simplesmente Deus. Para rasgar os véus da ilusão, devemos compreender que todos estes nomes apontam para a mesma realidade indescritível: a quietude que contém todo o movimento, o silêncio que dá origem a toda a melodia, o nada que é o berço de todas as coisas. A Consciência Primordial não é um ser sentado em um trono distante nos céus. Ela é o próprio Ser. É a inteligência que permeia cada átomo, cada estrela, cada pensamento.
Não há absolutamente nada fora desta Fonte. Tudo o que existe, existe dentro da mente infinita do Criador. Como ensina o primeiro e mais fundamental princípio hermético do Mentalismo: “O TODO É MENTE; O Universo é Mental”. Esta afirmação, transmitida por Hermes Trismegisto há milênios, antecipa em milhares de anos as descobertas da física quântica moderna, que demonstra que a matéria, em seu nível mais fundamental, é composta de ondas de probabilidade que só se tornam “reais” quando observadas por uma consciência.
A Natureza do Absoluto
Para compreender a origem da criação, devemos abandonar completamente a ideia de um Deus separado de sua obra. A Fonte é, simultaneamente, o observador e o observado, a tela e a pintura, o sonhador e o sonho. Quando olhamos para a vastidão do cosmos — as bilhões de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas — estamos contemplando uma faceta da Fonte. Quando olhamos para as profundezas do nosso próprio ser — a consciência que observa os pensamentos surgirem e desaparecerem — estamos olhando para o centro desta mesma Fonte. O Corpus Hermeticum, atribuído a Hermes Trismegisto (que os egípcios chamavam de Thoth e os gregos de Hermes), descreve esta Mente Divina como o Nous — a inteligência suprema que pensa o universo em existência. No primeiro tratado, chamado Poimandres, a Mente Divina revela-se ao buscador com estas palavras: “Eu sou o Nous, teu Deus, que existia antes da natureza úmida que apareceu das trevas. A Palavra luminosa que emana do Nous é o Filho de Deus.” Esta passagem revela que a criação não foi um ato mecânico, mas um ato de pensamento puro — uma emanação da Mente Divina. Na tradição cabalística, o Ein Sof (literalmente “Sem Fim”) é descrito como absolutamente infinito, sem forma, sem limite e sem atributo que a mente humana possa conceber. O Ein Sof é tão transcendente que nem mesmo a palavra “existência” pode ser aplicada a ele, pois ele está além da existência e da não-existência. Para criar o universo, o Ein Sof precisou realizar um ato de autolimitação chamado Tzimtzum — uma contração de si mesmo para criar um “espaço vazio” onde algo aparentemente separado pudesse existir. Este conceito é profundamente revelador: o universo existe dentro de um vazio criado pela retirada voluntária da Luz Infinita.
A Primeira Emanação: A Luz